Uma cena em um filme pode ser assistida e reassistida varias vezes por nós, e em todas elas sensações são mobilizadas e sentimentos diversos aparecem. Não é à toa que existem diálogo que gostamos, personagens que adoramos e momentos pelos quais somos completamente apaixonados.
Entretanto, nossa relação com o filme não indica necessariamente que a produção seja “boa”, nem que sua construção seja considerada um primor pela crítica cinematográfica. Pelo contrário, é bem mais provável que um filme nos cative pelo roteiro relativamente ‘simples’ e por seus estímulos visuais e sensoriais constituídos pela relação entre narrativa e experiência
Através disso, podemos entender o porquê de filmes como “Cinquenta Tons de Cinza (2015)” fizeram tanto sucesso, mesmo que cercados de análises negativas feitas pela crítica especializada. Diferentemente de uma análise crítica, a experiência do espectador não precisa estar baseada exclusivamente em aspectos como valor narrativo, fotografia ou interpretação. Existe também uma íntima relação com a película, construída por um processo natural e emocional.
Dessa forma, cenas de filmes e obras inteiras ficam em nossa memória, independentemente se a produção é considerada ruim ou não, pois as relações individuais e explosão de sentimentos advinda delas são o que ditam se essas produções merecem ser revistas ou não.
Não é raro revermos um filme que assistimos há algum tempo, ou até mesmo quando crianças. Isso acontece porque as lembranças que temos constroem sentimentos e isso independe da qualidade narrativa da obra.
Portanto, é importante que vejamos filmes considerados bons, mas devemos também ver filmes que nos cativaram, pois a arte é ainda um local onde memória, expectativa e sentimentos se encontram.

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