Para quem gosta de cinema, é indiscutível que “O Sétimo Selo” é uma obra-prima da arte, e colocá-lo como um dos melhores de todos os tempos se justifica pelo jeito como foi construído, pela forma como foi gravado, pela maneira com que faz reflexões que desafiam seu próprio tempo e o momento histórico em que foi produzido.
Uma das práticas atuais envolvendo cinema é a organização de produções a partir de gêneros específicos, o que as plataformas de streaming geralmente fazem. A partir dessas estruturas, os telespectadores criam seus gostos e preferências baseados em gêneros como romance, ação, terror e drama. Essa organização cabe para a maioria dos filmes produzidos, mas não serve para “O Sétimo Selo”.
Diferentemente da maioria das produções de filmes e séries, “O Sétimo Selo” não pode e não deve se enquadrar em apenas um tipo, nem há um gênero predominante em que ele possa ser nomeado. Pelo contrário, o filme faz reflexões que superam a primazia do gênero e a lógica por trás dela.
Entretanto, é inegável que se trata de uma obra que assusta o telespectador e utiliza o temor como ferramenta necessária à história. Dessa forma, assistir ao filme exige sentir pavor de dois tipos: um, concreto, a partir de nossos sentidos mais comuns; outro, tangível apenas por nossa intuição e nossas experiências.
Por um lado, a estética obscura e a fotografia em preto e branco de um filme de 1958, além de pinturas sombrias e um ritual semipagão com simbologias desconhecidas, causam um temor visual que atravessa a percepção humana de ser — é muito belo, mas bastante desconfortável e liga um sinal de alerta sobre a realidade defendida nas entrelinhas.
Por outro, os diálogos complexos, mas desoladores, a informação de que a peste vem chegando e o jogo de xadrez do protagonista com a morte causam um medo invisível, mas devastador. Aqui, o temor acontece pela percepção de que a vida é ínfima e que não há nada que evite ou remedeie a morte.
Portanto, “O Sétimo Selo” é de terror, é suspense, é de ação, mas também é de drama. Em todo caso, o medo é elemento parte da reflexão sobre a vida, sobre desejo, sobre o próprio pavor; não à toa, é uma das maiores produções do cinema.
Ah! A cena dos personagens caminhando e dançando com a morte por um caminho desconhecido deixa o telespectador a pensar na sua própria existência.

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